Contrato falso da reforma de sítio em Atibaia foi assinado em Indaiatuba


O engenheiro civil Emyr Costa ex-executivo da Odebrecht e que seria o responsável pela obra do sítio de Atibaia frequentado pela família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contou à Procuradoria Geral da República (PGR) que ajudou a elaborar um contrato falso para esconder que a Odebrecht havia executado a reforma da propriedade rural.
O sítio em Atibaia está registrado em nome dos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios do filho do ex-presidente, Fábio Luis Lula da Silva. No entanto, os investigadores da Lava Jato dizem que há indícios de que a propriedade pertenceria ao ex-presidente da República e de que a escritura apenas oculta o nome do verdadeiro dono.
Costa contou detalhes da obra em depoimento de delação premiada com o Ministério Público. Ele é um dos 78 executivos e ex-dirigentes da empreiteira que fizeram acordo com a PGR para relatar irregularidades cometidas pela construtora em troca de eventual redução de pena. O engenheiro explicou aos procuradores como auxiliou o advogado Roberto Teixeira – amigo do ex-presidente – e o ex-dirigente da Odebrecht Alexandrino Alencar a redigir um contrato falso para maquiar o envolvimento da construtora na reforma do sítio.
Conforme o delator, na reunião com Teixeira e Alexandrino, ele informou que as despesas da obra seriam pagas em dinheiro vivo e que seria subcontratada uma empreiteira menor para executar o serviço.
Em meio à conversa, contou Costa, Teixeira sugeriu que o engenheiro procurasse o empreiteiro para elaborar um contrato de prestação de serviços em nome do proprietário que aparece na escritura do imóvel, Fernando Bittar.
Diante da proposta do advogado, contou o delator, ele próprio sugeriu que fosse colocado no contrato um valor inferior aos R$ 700 mil que foram gastos na obra. Emyr Costa explicou que decidiram definir que a reforma havia custado R$ 150 mil ou R$ 170 mil para que ficasse compatível com a renda de Bittar.
“Eu fui lá para que não aparecesse que foi feito pela Odebrecht em benefício de Lula. Vai lá e faz um contrato entre Bittar e Carlos Rodrigues, que tem uma construtora e, nesse mesmo objeto, eu declarei: sauna, coloca um valor até mais baixo para ser compatível com a renda do Bittar”, observou Costa.
“A gente colocou mais baixo que os 700 mil. Colocamos R$ 150 mil ou R$ 170 mil e eu fiz o contrato pessoalmente, marquei uma reunião com esse Carlos Rodrigues em Indaiatuba, no clube Helvétia Riding Center, no estacionamento que é aberto, levei o contrato, pedi para ele assinar e emitir uma nota no valor do contrato e ele fez na hora. Ele me devolveu e eu e eu levei uns dias depois para o senhor Roberto Teixeira eu fui sozinho e me registrei novamente na portaria”, complementou.
Em nota, o advogado Roberto Teixeira afirmou que, em 47 anos de advocacia, Jamais propôs, orientou ou executou qualquer ato ilegal. Ele disse ainda que o sítio era de Fernando Bittar e que ele, como seu advogado, tinha como atuação “formalizar as obras realizadas como condição para que Fernando Bittar, meu cliente, fizesse o pagamento do valor devido pelos serviços”.
Em nota, o Instituto Lula afirmou: “Os procuradores da Lava Jato sabem, há mais de um ano, que o sítio frequentado pelo ex-presidente Lula em Atibaia não pertence e nunca pertenceu a ele. Sabem também que Lula não pediu nem autorizou ninguém a pedir que fossem feitas reformas no imóvel. Lula não tem nada a esconder, porque não fez nada de ilegal.”

Fonte: Indaiatuba News

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