Quadro de Van Gogh, que pertenceu a Liz Taylor, é leiloado por US$ 40 milhões


A casa de leilões Christie’s leiloou, nesta terça-feira (15), em Nova York (Estados Unidos), o “Vue de l’asile et de la Chapelle de Saint-Rémy”, único quadro pintado por Vincent Van Gogh no período em que esteve internado em um sanatório francês, onde decidiu se isolar. Obra foi vendida por US$ 39,7 milhões (R$ 146 milhões).

O leilão de arte moderna incluiu obras de Malevich, Brancusi, Matisse, Miró, Picasso, Léger e Giacometti. Os 40 lotes foram vendidos por um total de US$ 416 milhões R$ 1,52 bilhão).

Pintado em 1889, apenas um ano antes de sua morte, Van Gogh criou “Vue de l’asile” durante sua internação voluntária no sanatório de Saint-Remy, onde tentou atenuar seus problemas mentais que o levaram no ano anterior a cortar uma orelha.

Embora costumasse a pintar as vistas bucólicas que observava no hospital, quando estava em um bom dia, era acompanhado para a parte externa com seus cuidadores. Em desses dias, pintou este óleo, o único dos 150 que ele criou em Saint-Remy que retrata o hospital de fora.

O quadro ficou pendurado na sala da atriz Elizabeth Taylor de 1963 até sua morte, em 2011, quando foi leiloado por US$ 16 milhões. Agora, seis anos depois, a obra mais que dobrou seu valor.

No entanto, a obra mais cotada do leilão foi “Composição suprematista” (1916), do pintor vanguardista Kazimir Malevich, vendida por US$ 85,8 milhões, um recorde para o artista russo.

Trata-se de um dos quadros mais icônicos de Malevich, que revolucionou São Petersburgo (e todo mundo da arte) quando em 1915, apresentou suas obras abstratas e repletas de figuras geométricas, nas quais, em vez de representar algo real ou de credibilidade decidiu criar seu próprio universo.

Houve também um recorde para o escultor romeno Constantin Brancusi, cujo retrato em bronze da escritora Nancy Cunard, “La jeune fille sophistiquée” (1932), foi leiloado por US$ 71 milhões.

Foi a primeira vez que a escultura foi colocada à venda desde que uma família, os Stafford, a comprasse sem intermediários para o artista, e se trata de uma das poucas peças de bronze de Brancusi mantendo sua base de mármore e não está em um museu.

Nancy Cunard, a musa da escultura, era filha de um nobre e uma rica herdeira, e apesar de sua origem aristocrática, se destacou pela ajuda ao grupo republicano na Guerra Civil Espanhola e seu ativismo contra o racismo, que abraçou após um romance com um negro.

Um Miró, “Femme entendant de la musique”, alcançou os US$ 21,7 milhões; enquanto “Le grand déjeuner” de Fernand Léger, foi leiloado por US$ 19,4 milhões; um Giacometti, “La Clairière”, vendido por US$ 15,8 milhões e um Matisse, “Odalisque, mains dans le bois”, por US$ 14,4.

A principal queixa da noite, “Le Marin” de Pablo Picasso, avaliado em US$ 70 milhões (R$ 257 milhões), não chegou a ser exposto, depois que a casa de leilões anunciou no último domingo que a obra foi acidentalmente danificada quando era preparada para a venda.

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